O Popular | Estudo encomendado pela Comurg atesta estabilidade do aterro de Goiânia
Reportagem do jornal O Popular, publicada na edição desta quarta-feira, 6 de novembro de 2025, na página 12, assinada pelo jornalista Vandré Abreu, destaca que um relatório técnico sobre o monitoramento geotécnico do Aterro Sanitário de Goiânia concluiu que o maciço de resíduos apresenta estabilidade satisfatória. O estudo, realizado pela empresa Raiz Inteligência Ambiental a pedido da Comurg, comparou medições feitas entre setembro e novembro e registrou fator de segurança acima do mínimo exigido pela ABNT. Confira a reprodução do conteúdo:
Estudo técnico confirma estabilidade do Aterro Sanitário de Goiânia
Um relatório técnico sobre o monitoramento geotécnico do Aterro Sanitário de Goiânia, realizado conforme especificações da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), concluiu que a estrutura do maciço de resíduos sólidos apresenta condições de estabilidade satisfatórias.
O documento, elaborado pela empresa Raiz Inteligência Ambiental e Georreferenciamento, subcontratada pela Engenharia Service Projeto & Consultoria, comparou dados coletados em duas campanhas topográficas realizadas entre setembro e novembro de 2025. O relatório recomenda que o mesmo estudo seja repetido a cada dois meses para acompanhamento contínuo do maciço de resíduos.
O principal critério de avaliação da estabilidade do aterro é o fator de segurança (FS), definido pela norma 11682 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Por se tratar de uma estrutura de nível de segurança alto, a norma exige um FS mínimo global de 1,5. As análises de estabilidade foram feitas em quatro seções críticas do maciço (A, B, C e D) — áreas que apresentam maior potencial de instabilidade, como risco de desmoronamento ou formação de vácuos, que podem ocasionar explosões devido à presença de gases.
Em todas as quatro seções, os valores calculados ficaram acima do mínimo de 1,5 exigido pela ABNT, indicando que o maciço está em condição de estabilidade satisfatória para a geometria atual e os parâmetros geotécnicos adotados.
O estudo foi realizado a partir da instalação de 50 marcos superficiais — estruturas de concreto com pino metálico utilizadas para medições topográficas. As leituras iniciais foram feitas no momento da instalação e, posteriormente, após o acúmulo de resíduos, permitindo verificar deslocamentos horizontais e verticais.
O monitoramento ocorreu em um intervalo inferior a 30 dias, período que coincidiu com um “aporte massivo de resíduos”. A análise volumétrica indicou o acréscimo de 347,9 mil metros cúbicos (m³) de material entre as duas medições.
A engenheira e gerente operacional do aterro, Gabriela Maria Barbosa, destacou que a Comurg já possuía um estudo anterior sobre a estabilidade geotécnica, e que os novos dados confirmam a segurança operacional.
“Esse relatório parte de uma comparação com o marco zero, quando começamos a atuar aqui, e visa garantir a estabilidade. Ele demonstra tecnicamente a segurança da operação, e o nosso fator de segurança aumentou”, explicou.
Segundo Gabriela, o estudo permite identificar eventuais riscos de ruptura ou desmoronamento e orientar ações preventivas, se necessárias. Ela ressaltou que a melhoria da estabilidade decorre do uso de equipamentos adequados, insumos de qualidade e da continuidade da operação conforme o projeto executivo.
“O aterro é um ser vivo — naturalmente precisa se acomodar. Pegamos um aterro em que as gestões anteriores não seguiam o projeto executivo. É preciso fazer drenagem e compactação corretas”, afirmou.
Os deslocamentos registrados nos 50 marcos foram de baixa magnitude e compatíveis com o comportamento esperado da estrutura. O relatório apontou deslocamento vertical máximo de 8,6 cm e horizontal de 16,8 cm, interpretados como respostas normais à sobrecarga do novo volume de resíduos. Não foram observadas zonas de aceleração de fluxo que indicassem risco de ruptura.
Na conclusão, o documento destaca que, embora a estrutura esteja crescendo rapidamente, o aterro se acomoda de maneira controlada, dentro dos parâmetros de segurança da ABNT. O relatório recomenda:
Monitoramentos bimestrais do maciço, manutenção dos taludes, manutenção rigorosa da drenagem superficial e proteção e sinalização dos marcos superficiais.
O estudo custou R$ 65.280 à Comurg, pagos à Engenharia Service. O valor total do contrato, de R$ 94.080, foi reduzido porque a instalação de quatro piezômetros — instrumentos usados para medir a pressão da água subterrânea — não foi executada. O serviço foi realizado com o local já drenado.
Em julho, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) havia apontado 12 irregularidades graves no aterro, incluindo questionamentos sobre a estabilidade geotécnica. A pasta recomendou a apresentação de estudos e laudos conclusivos sobre a estrutura.
No mesmo mês, a Semad emitiu novo laudo apontando instabilidade pontual de taludes e carreamento de sedimentos, aplicando multa diária de R$ 5 mil à Prefeitura. Em outubro, outra autuação, no mesmo valor, foi feita pela operação do aterro sem licença ambiental.
Nesta semana, em entrevista ao O Popular, a secretária da Semad, Andréa Vulcanis, afirmou que o aterro teria apenas dois anos de vida útil, o que foi refutado pela Comurg, que apresentou estudo indicando até 20 anos de operação, caso as adequações propostas sejam executadas.
